Criança Precisa Falar De Emoções: Saiba Como Incentivar Isso Em Casa

Expressar as próprias emoções já é difícil para alguns adultos, então imagina para as crianças que ainda nem conhecem cada uma delas por inteiro? Mas esse é um desafio que vale a pena comprar: ajudar nossos filhos a entender o que está se passando por dentro e, acima de tudo, ensiná-los o que fazer com esses sentimentos, é uma forma de prepará-los para a vida. Uma psicóloga e uma famosa mamãe da internet ensinam como iniciar esse papo em casa e sugerem algumas atividades que a gente pode fazer, confira!

Novas emoções são descobertas pela criança a cada ano

É com o tempo que os nossos pequenos aprendem a falar, andar e também a sentir. Pensando em crianças e emoções, as coisas mudam muito rápido: literalmente, de um ano para o outro. “No primeiro ano de vida de nossos bebês, apenas 3 das principais emoções são demonstradas e compreendidas por eles: alegria, medo e raiva. A partir dos 2 anos, novas e mais complexas emoções começam a surgir, quando a criança começa a se ver como um ser real, autônomo”, conta a psicóloga Mariana Massari.

Incentive a criança a falar sobre as emoções e dê nome a elas

Quando as crianças começam a experimentar determinadas emoções, é normal que os pais tentem adivinhar, continuar a tendência de “interpretar” sons e movimentos, como era feito na época em que a criança só podia chorar. Mariana Massari, porém, diz que é interessante pedir que a criança explique com sua própria língua o que está sentindo: “isso é bom para que ela mesma comece a identificar em si o que são esses impulsos e comportamentos”, revela. Uma criança menor pode explicar seu acesso de raiva dizendo que quer o brinquedo X, ou apenas apontar\ficar bravo com o responsável; “é nessa hora que o nome da emoção deve ser dada e apontada pelo adulto”, diz nossa especialista. Diga algo como “eu entendo que você esteja com raiva por não querer parar de brincar, mas agora precisamos ir dormir” – essa é uma forma de identificar a emoção e dizer o que a criança deve fazer com ela.

Segundo a psicóloga, identificar e compreender uma emoção não significa, necessariamente, permitir qualquer comportamento: “os pais devem apontar o melhor caminho, esclarecer, explicar porquês, mostrar as regras, insistir em “bons comportamentos”, conta. Mariana Massari também diz que cabe aos pais dar o bom e velho exemplo: “se o pai tiver acessos de raiva frequentes, esse padrão pode ser repetido pelo seu filho. Manter coerência na disciplina ajuda a fortalecer a ideia de obediência”, diz.

Ensinar a se preocupar com as emoções dos outros também é importante

Saber identificar e reagir às emoções não vale apenas para a criança se entender, mas também para ela compreender e ajudar as pessoas a sua volta. Nossa especialista diz que, nos primeiros meses de vida, as crianças são extremamente autocentradas, mas que isso muda quando a socialização se inicia: “passa a ser possível começar a entender a importância do outro. Mais uma vez as regras e disciplinas impostas pelos adultos tem fundamental consequência aqui. A criança aprende que existe fila, que ela precisa dividir, que ela precisa respeitar os sentimentos dos outros através das ‘chamadas’ que recebem de seus pais”, explica a psicóloga.

Além dessas ‘chamadas’ também existem exercícios, jogos e brincadeiras que podem ser feitas para fortalecer a ideia da importância do outro. Teste em casa essas duas opções indicadas pela psicóloga Mariana Massari:

– Em um jogo como o “cara-a-cara”, onde rostos desenhados representam uma emoção característica, pode-se pedir que a criança identifique o que a pessoa está sentindo, dizendo se ela está feliz ou triste.

– Em filmes pode-se tentar identificar, junto à criança, o que o personagem estava sentindo em uma determinada cena ou quando faz uma careta específica. Nomear reações, dar significado para o comportamento do outro é um exercício do reconhecimento e interação com o momento alheio, tornando a criança sensível a outros seres e seus sentimentos.

Milene Massucato, do blog “Diiirce”, revela como explora as emoções em casa

Mamãe em tempo integral, a autora do blog “Diiirce” diz que inventa muitas brincadeiras com os pequenos e que, uma de suas preocupações, é trabalhar a questão das emoções: “teve uma época que tínhamos na geladeira um ímã para expressar como estávamos nos sentindo. Meu menino adorava!”, conta a blogueira, que é mãe de três pimpolhos. Milene Massucato também diz que existem opções mais simples para explorar o assunto: “a gente brinca bastante com bonecos, faz de conta, e acho que não tem coisa melhor para representar emoções do que isso”, conta.

Outro fator que ajuda bastante é que na escola do seu filho mais velho, hoje com seis anos de idade, existe um projeto de educação emocional que sempre provoca assuntos para serem conversados em casa. “São personagens que passam por experiências comuns às crianças como medo, insegurança, bullying, violência, separação dos pais, perdas… Durante o ano as crianças vão vivenciando as histórias, ajudando os personagens a resolver os conflitos, encenam e brincam”, revela a mamãe, que também alerta: “é ótimo que exista isso na escola, mas é fundamental que a família também se envolva”.

Educadora infantil cria projeto com brincadeiras que trabalham as emoções

A professora de educação infantil Amanda Previato, do blog “Todo mundo gosta de brincar”, criou com seus alunos de 4 anos de idade um projeto chamado “Quando me sinto…”. São brincadeiras e atividades que ajudam a criança a se conhecer e saber identificar as emoções do próximo. Confira algumas dessas ideias que são bem fáceis de fazer em casa:

Observação no espelho

Experimentar expressões no espelho é uma atividade divertida que qualquer criança vai adorar fazer. Eles podem brincar de maneira espontânea ou serem direcionados direcionados pelos pais para fazerem a careta correspondente a cada emoção.

Desafiando o medo do escuro!

Depois de ouvir dos alunos que vários deles tinham medo do escuro, a professora resolveu ouvir histórias à luz de lanternas para desafiar o medo. Depois disso, ainda à meia luz, as crianças puderam fazer desenhos sobre coisas que espantam o medo.

Fazendo o amiguinho de modelo

Uma boa forma de treinar o olhar da criança para compreender as emoções alheias é colocá-la para desenhar a expressão de outro pimpolho. Sopre uma emoção no ouvido daquele que vai ser modelo e deixe que o outro desenhe baseado em suas percepções.

Mímica para descobrir os sentimentos

Para deixar esse reconhecimento de emoções ainda mais divertido, basta confeccionar um dado em que cada lado tenha colado um rostinho com uma expressão. Depois de jogar o objeto para o alto, a criança da vez deve representar a emoção para que as outras descubram.

Mariana Massari é Psicóloga pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) com formação em Terapia Cognitivo Comportamental pela ATC-Rio

Milene Massucato é psicopedagoga, mãe de três crianças e, como ela gosta de se definir, CEO em atividades materno-domésticas. Autora do blog “diiirce.com.br”, a mamãe já reúne mais de 20 mil fãs no Facebook.

Amanda Previato é professora de Educação Infantil e Educação Especial, especialista em Arte, Educação e Movimento.

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